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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

[Neo Geo] The King of Fighters 94

Nunca fui muito fã desta ilustração da capa, mas essa era a nova proposta: 3 vs 3
Depois que a primeira MVS chegou em terras nevenses no boteco do quarteirão onde moro, a área se converteu em território de jogos da SNK.

Enquanto o resto da cidade desconhecia a existência da empresa, aqui nas redondezas, subitamente, SNK virou uma febre. 

Com o sucesso que aquela MVS fez, o dono do boteco logo pensou em expandir o cantinho dos jogos e trazer máquinas novas. Mas claro que ele era um puta de um leigo que não entendia de nada, e quase meteu os pês pelas mãos.

Aquela MVS com Art of Fighting, Fatal Fury 2, Samurai Shodown e World Heroes foi trocada por uma com Super Sidekicks.

Isso mesmo. Saiu a máquina de maior sucesso para colocarem um jogo de futebol.

Não que as pessoas não gostassem de futebol. Pelo contrário, todos ali gostavam, inclusive eu, mas sem chances deste jogo chamar tanto a atenção do pessoal como os jogos de luta, e não se tira a máquina mais rentável para colocar uma aposta.

O movimento acabou caindo, porque ninguém se desesperava pra jogar Super Sidekicks. De vez em quando alguém jogava, mas só.

Personagens novo e antigos nesses enorme crossover.

Quando viu que tinha feito um mal negócio, o dono do boteco resolveu trazer de volta algum jogo de luta. Com isso, juntamente com o Super Sidekicks,  tínhamos agora uma máquina de Mortal Kombat, o primeiro.

O pessoal da área gostava de MK, mas praticamente todos que tinham um SNES tinham MK2. Todos já estavam habituados a jogar muito MK2, portanto, aquela máquina de MK1 era uma espécie de retrocesso. O jogo foi mais jogado que Super Sidekicks, mas não virou nenhuma febre.

Foi somente a nova tentativa do dono do boteco que surtiu o efeito desejado: trocar Super Sidekicks por The King of Fighters 94.

Era a segunda vez que um jogo da SNK causava uma febre entre aqueles jogadores.

KoF94 foi um choque.

SNK esperta já padronizando os encartes para as versões AES e CD.

Até hoje me lembro da sensação de ver o jogo pela primeira vez. O impacto da diferença gráfica foi enorme.

O jogo era lindo, cheio de animações, cores, efeitos, com uma trilha muito boa, e, além disso, tinha as personagens dos jogos que nós tanto gostávamos.

Não tinha como comparar a qualidade gráfica daquele jogo com portes de SNES de outros jogos que jogávamos.

A barra de ki, esquiva, os trios, os detalhes dos golpes e dos cenários, encontrar outras personagens conhecidas escondidas nos cenários, redescobrir os golpes, etc.

Estávamos maravilhados com este novo mundo. A velha euforia voltou. O assunto era só esse.

Todos estavam tão doidos pelo jogo que, mesmo quando o controle estava em estado deplorável, continuaram a jogar.

Nesta época foi quando eu comecei a procurar revistas de vídeo game. Não propriamente em bancas. As lojinhas de R$1,99 estavam em alta, e costumavam aparecer alguma coisa relacionada a games, possivelmente material que não vendeu todo nas bancas e depois de recolhido foi vendido à preços menores para estas lojinhas. Também foi quando comecei a procurar por amigos que tinham revistas relacionadas. Eu queria encontrar informações sobre KoF94.

Há 20 anos nascia uma das franquias mais amadas dos games.

Me lembro de uma revista inteira sobre KoF94, em que o editor era o Sérgio Peixoto [quem acompanhou mangás e animes nos anos 90 sabe muito bem quem é o sujeito]. Aquela revista falava tanto absurdo, mas tanto absurdo! Incrível como algo do tipo pode ser publicado. Basicamente eram uma página por personagem, com uma ilustração não oficial [e ruim], com dois ou três comandos de golpes, e a história da personagem. Totalmente furada, tanto a história, quanto os golpes. Além de uma seção sobre o sistema de jogo e a história geral, tudo muito ruim também.

Não encontrei outras publicações sobre o jogo, e fiquei muito triste por não sair porte para consoles do jogo [claro que só saíram para o Neo Geo AES e CD], o que só veio a acontecer no PS2. Foi aquela revista que matou minhas esperanças, "se você espera jogar KoF94 no seu Super Nintendo ou Mega Drive, esquece!".

Acabei aprendendo alguns dos DMs com dois caras que vendiam doces e bugigangas para bares. Eles costumavam jogar quando vinham trazer mercadoria, e, numa das vezes vi os caras jogando e executando os golpes especiais e fiquei observando as mãos deles [era tímido demais para perguntar abertamente pra eles].

O jogo continuou até a máquina ficar em estado que não era mais possível jogar. Ninguém dava manutenção, e, por fim, a máquina foi retirada.

Inacessível na época, só dava pra jogar no arcade

Sem sombra de dúvidas foi uma época das mais marcantes em minha vida como gamer.

domingo, 11 de agosto de 2013

[NGP] The King of Fighters R-1

O primeiro título do portátil da SNK não poderia ser outro
Muitos jogadores de hoje conhecem a história dos consoles portáteis apenas a partir da disputa entre Nintendo e Sony, mas antes disso já havia acontecido muita coisa.

Nos últimos anos vimos o mercado dos portáteis ser dividido entre Sony e Nintendo, com GBA, NDS, 3DS, PSP e Vita, mas nem sempre foi assim.

Antes do mercado se resumir às duas gigantes, muitas outras empresas lançaram vários outros portáteis, entre elas, a SNK, com seu Neo Geo Pocket.

O Neo Geo Pocket, apesar de sua curta história, foi um portátil cheio de bons jogos. Com hardware superior ao GameBoy, e desta vez com suporte de third-parties como Capcom e Sega, por exemplo, o Neo Geo Pocket foi o primeiro portátil a fazer alguma concorrência à Nintendo em anos.

Infelizmente, a maré para a SNK àquela época não era das melhores.

O primeiro revés veio cedo. O primeiro Neo Geo Pocket era monocromático, e logo teve de ser adaptar ao lançamento do GameBoy Color. A SNK então lançou o Neo Geo Pocket Color.

Mas, mesmo com boas vendas do portátil, a empresa sofreu com outros duros golpes.

Com o acordo financeiro com a Aruze [resultado de fracassos no Neo Geo 64, pirataria na MVS, entre outros], as propagandas do portátil na TV americana foram cessadas, e a distribuição pelas grandes redes de varejo interrompidas.

Por fim, o portátil foi descontinuado.

Um triste fim para um portátil promissor...

fórmula de sucesso: o jogo era baseado em KoF 97, e na conclusão da Saga Orochi
Eu, desde a primeiro jogo da SNK que tive contato em arcades, sou um grande fanático pela empresa!

Sempre quis ter um Neo Geo, o que a condição financeira não me permitiu até 2007. E, na época do lançamento do Neo Geo Pocket, pude acompanhar, através de revistas especializadas, as notícias de seu lançamento.

A Gamers fazia ótima cobertura de assuntos relacionados à SNK, e com o Neo Geo Pocket não foi diferente: enormes matérias, muita informação e hype no último.

Eu, como fanático que era, me via doido no meio daquele turbilhão de notícias. Ficava lendo e relendo cada matéria, acompanhando cada screenshot ou ilustração, dissecando cada detalhe... e, apesar de tudo, com esperança de, quem sabe, conseguir ter um daquele portátil dos sonhos...

A verdade é que eu sonhava dia e noite em poder ter aquele console nas minhas mãos, e jogar aqueles jogos todos. Era uma obsessão!

porrada da melhor qualidade na palma da mão!
Na escola, não pensava em outra coisa, e, aula que é bom, nada.

Fora da escola, com meus 13 anos, não largava as revistas de jeito nenhum.

Era um sonho tão distante, mas minha ingenuidade de criança não me deixava ver o quão distante aquilo estava de mim!

Mas, apesar de tudo, aquela sede de informações sobre meus jogos mais queridos foi o que me fez melhorar drasticamente minha leitura. Eu não lia nada até que as revistas de vídeo-game passaram a ter papel relevante na minha vida.

tal pai tal filho
Este jogo foi o primeiro jogo de Neo Geo Pocket que comprei. Foi em 2007 já, quando já tinha uma condição um pouco melhor, e consegui comprar um Neo Geo Pocket.

Foi um momento muito bacana, que me fez relembrar aqueles tempos de garoto em que eu sonhava com este jogo. Todos os sentimentos daquela época, toda a vontade de jogar aqueles jogos, toda a expectativa... tudo eu pude vivenciar novamente.

E foi muito bom!

A SNK sempre fez um trabalho muito bom para agradar seus fãs. E, com o Neo Geo Pocket, não foi diferente.

A caixa do jogo, que poderia ser uma caixinha de papelão comum, quadradinha, é, na verdade, uma réplica da caixa dos jogos de Neo Geo AES. Lindo! Simplesmente demais!

Os detalhes todos estão lá, relembrando o legado da empresa.

E o jogo, simplesmente fantástico!

Acho que até o lançamento deste jogo, ninguém imaginava que um jogo de luta para um console portátil pudesse ser tão bom.

Jogabilidade de primeira, num design que soube explorar as limitações do portátil, e, muito favorecido pelo excelente controle do Neo Geo Pocket.

O Jogo é baseado na versão '97, que conta o final da Saga Orochi. Muito bem animado, com boa trilha sonora e um sistema de jogo que não deixa a desejar aos jogos de luta de consoles de mesa.

Uma pena que a história deste pequeno e notável portátil não durou muito.

Lembro das palavras de um dirigente da Sony à época do lançamento do PSP. Ele dizia que não entendia como o Neo Geo Pocket tinha fracassado. Mas a culpa não foi do portátil...