quinta-feira, 26 de setembro de 2013

[PS1] Final Fantasy VII

Composição bem clichê: herói versus império
Final Fantasy VII é um marco, um divisor de águas. Senão na história dos vídeo-games, pelo menos na história de minha cidade.

É curioso como as coisas se passavam por estas bandas. Não sei se por ser uma cidadezinha de fim de mundo que dificultava o acesso a coisas novas, ou se as pessoas de maior poder aquisitivo não eram tão interessadas em vídeo-games, ou, sei lá, um enorme acaso do destino. Fato é, posso dizer que conhecia todas as pessoas que tinham consoles em Neves Paulista até meados da década de 90, e, salvo talvez uma única exceção [não conversava com o Ivan na época, então fica a dúvida se ele era exceção], nenhum jogo de RPG para consoles tinha dado as caras por aqui. Alguém pode considerar Zelda como RPG, mas eu o classifico como adventure.

Chega a ser estranho não ter nenhum dono de console em toda a cidade que tenha pelo menos um jogo de RPG, nem que fosse pirata. Mais ainda, nenhuma das três locadoras de jogos da cidade tinha também.

Curiosamente também, nos primórdios dos consoles "mais avançados", a maioria das pessoas tinha um preferência estranha por consoles da Sega. Master Systems e Mega Drives eram maioria absoluta, pelo menos até 1993 quando a a primeira locadora de jogos se estabeleceu na cidade. Com maioria de SNES, possivelmente a quantidade de jogos diferentes tenha minado a preferência das pessoas por consoles da Sega. Aliás, parte dessa preferência talvez se desse pelo fato de a única loja da cidade que vendesse alguma coisa relacionada a vídeo-games trabalhar somente com consoles da Sega. Numa época em que era difícil conseguir coisas novas, principalmente eletrônicos caros vindos de fora, facilidade de acesso poderia ganhar o consumidor.

O cenário dessa época na cidade era basicamente este: por algum tempo o máximo que as pessoas conheciam de consoles era o Atari 2600; depois surgiram alguns arcades pela cidade, e apareceram os primeiros donos de consoles da Sega; finalmente, estabeleceu-se a primeira locadora de jogos na cidade, cheia de SNES.

Não é difícil imaginar que o gosto predominante das pessoas da cidade eram jogos estilo arcade, como shooters ["jogos de navinha"], beat'em ups, jogos de luta [que só tinham aparecido no arcades], e alguns jogos de plataforma. Resumindo, estilos de jogos que se encontravam nos arcades e no Atari 2600, além de um começo de apego por jogos de plataforma, que ganharam força nos consoles 8 e 16bits

Costumeiramente os designs das capas de versões americanas de jogos eram de péssimo gosto. Nunca entendi o porquê, porém a Square conseguia fazer umas capas até interessantes para suas versões americanas.

E era isso que os donos de locadoras tinham para seu público.

Quando as pessoas viram Street Fighter II para SNES, foi uma febre. O que antes só poderia ser jogado no arcade, em ambientes pesados, e por preços não tão acessíveis para crianças, agora poderia ser jogado num lugar mais "acolhedor", por um custo menor, sem ter de encarar pessoas de "índole duvidosa" jogando fumaça de cigarro na sua cara.

Sucesso instantâneo! As locadoras floresceram. Viviam lotadas.

Havia um ou outro jogo mais complexo que demandava mais tempo para se terminar, que as pessoas acabavam alugando no final de semana quando queriam jogá-los, mas mesmo assim, nenhum RPG. É até razoável por parte de quem investia comprando os jogos não se preocupasse em comprar jogos como Final Fantasy. RPGs eram demorados, não tinham ação tão constante, as pessoas que frequentavam as locadoras não sabiam nenhuma língua estrangeira, e seria complicado manter o save no jogo, porque sempre tinham um sacana para apagar os saves, além de os cartuchos piratas que os caras compravam não salvarem.

Nem com a chegada do Playstation e do Saturn as coisas mudaram. O início da geração seguiu os passos da geração passada, e as pessoas daqui seguiram procurando pelo mesmo estilo de games. O mais diferente que apareceu nesta época foi um cara que tinha um Saturn e comprou Myst e Nights.

E, por estes caminhos tortos da vida, Neves Paulista ficou sem ver um RPG até 1998. E, ainda assim, foi um acaso que trouxe o primeiro.

Não gosto da qualidade destas caixinhas de vários discos do PS1...
Na época eu estava tentando colecionar revistas de games. Como dependia da grana do meu pai, comprava alguma coisa esporádica, mais me importando com matérias de jogos da SNK. Diga-se de passagem, as revistas daquela época eram bem ruinzinhas.

Eu até tinha visto alguma coisa de Final Fantasy VII [japa] numa Gamers, que era do dono da locadora, mas não fui mais a fundo. Foi só um tempo depois, quando a turma passou a frequentar uma outra locadora [que o dono queria nos agradar, já que eramos bons consumidores e influentes entre as pessoas que curtiam games na cidade] que encontrei uma Ação Games com um texto de uns três parágrafos falando da versão americana de Final Fantasy VII. Tinha uma imagem do Cloud sobre um chocobo. Não sei o que me chamou a atenção quando li aquilo. Só sei que resolvi pedir pro dono da locadora arrumar o jogo.

Demorou um pouco, mas o cara conseguiu. Então fui jogar. Acho que fui o primeiro a jogar por aqui, não lembro ao certo. Não imaginava o quão grande o jogo poderia ser, o que gerou o problema memory card.

O dono da locadora tinha apenas um memory card na época, e só tinha este porque nós tínhamos pedido para deixar os saves de jogos de luta que tinham personagens destraváveis. Depois de um tempo ele acabou comprando outro, mas eram muitas pessoas jogando, e muitos sacanas apagando saves.

O problema do memory card acabou sendo resolvido por nós mesmos, cada um comprando o seu

Para o dono da locadora, trazer Final Fantasy VII talvez tenha sido a decisão mais acertada em seu negócio. Várias pessoas jogando centenas de horas só naquele jogo, e, o principal, depois daquele, a fome por RPGs entre os jogadores só crescia [e o Playstation tinha vários RPGs em sua biblioteca]. Depois de Final Fantasy VII, todo RPG que era lançado chegava na locadora, e o pessoal jogava à exaustão.

Foi o auge das locadoras por aqui. E era um tempo bom. Mas acabou...

Outra coisa que a Square conseguiu não estragar na versão americana: as estampas dos discos são simples e eficazes. Nada de carnaval.

Certamente, mais hora ou menos hora, algum RPG chegaria à cidade e causaria o mesmo efeito. O Playtation foi o auge da popularidade dos RPGs, não passaria sem que nenhum chegasse por aqui. Mas foi bacana ter sido o cara que influenciou no processo que trouxe Final Fantasy VII aqui.

Joguinho de imagens: o encarte completa a imagem do manual.

Final Fantasy VII é um de meus jogos favoritos. 

Gosto bastante da fórmula de combate, com as matérias. Acho um sistema criativo, que se fosse mais desenvolvido, seria fantástico. As matérias permitem uma vasta customização das personagens, além de permitir criatividade nas estratégias. Seria interessante ver o sistema em outro jogo, retrabalhado para aumentar as possibilidades e tirar aquilo que ficou overpower demais. Mas acredito que não acorrerá.

A história traz elementos que começavam a ganhar destaque naquela época. Bio-terrorismo, engenharia genética, energia não renovável, intrigas políticas e militares [agora não mais só em planos medievais], guerra por recursos naturais, tecnologia e suas consequências, um mundo que tinha diversidade de culturas [o que muitos RPGs não tinham até então], programas espaciais, etc... Além de tudo isso, temos várias personagens bacanas, cenas dramáticas, vilão interessante. Principalmente na época de seu lançamento, acho que foi um grande impacto.

Mais ainda, é um fantástico jogo. Várias sidequests e itens para se coletar. E eu me divertia muito fazendo chocobos, por exemplo. Cheguei a fazer cinco gerações de chocobos dourados.

E, algo que sinto falta hoje em dia nos Final Fantasys, as personagens não pareciam personagens de animes bobões. Pelo menos me parecia que havia mais diversidade nas personalidades e o clima do jogo era outro...

Não faz muito sentido a composição das imagens de dentro da caixinha, mas Sephiroth marca presença com uma das cenas mais populares do jogo.

Ainda preciso rejogá-lo, agora com um inglês mais razoável, e, finalmente, com minha própria cópia original, que ficou três meses presa na alfândega, mas finalmente chegou.

Infelizmente, sem ter que vender um rim, a única cópia de FF7 que consegui veio com estes danos do tempo no manual...


sábado, 7 de setembro de 2013

[Neo Geo] Art of Fighting

Aqui começou uma grande história de amor com a SNK
Meu primeiro jogo de Neo Geo AES não poderia ser outro.

Art of Fighting, ou Ryuko no Ken como veio ao mundo, foi um marco em minha relação com jogos de vídeo-game.

A primeira MVS a pisar em terras nevenses só apareceu por aqui no começo de 1995. Um tanto tarde, mas viver em cidadezinhas de interior é isso, tudo demora.

Essa MVS era do modelo que suportava quatro cartuchos e veio com Art of Fighting, Fatal Fury 2, Samurai Shodown e World Heroes. E apareceu em um boteco no quarteirão onde moro.

Vale lembrar que até então, os únicos jogos de luta que tinham dados as caras por aqui eram Street Fighter 2 e Mortal Kombat. De resto, apenas Beat' em Ups, PacMan e coisas velhas.

Street Fighter 2 tinha feito sucesso. Era apenas uma máquina em uma locadora de filmes. O cantinho dos arcades naquela locadora logo ficou bem pesado. Ar carregado de fumaça de cigarros, pessoas de caráter duvidoso, e toda sorte de socialmente excluídos e mal encarados.

O estabelecimento que tinha só arcades tinha um ambiente pior ainda.

Pra jogar, tinha que ir em lugares assim.

No fim das contas, o boteco em que a MVS deu as caras, apesar dos pesares, era um ambiente bem mais tranquilo que os demais.

Apesar de ter chegado tardiamente, a cidade não tinha muitas opções de ver jogos mais recentes. A primeira locadora de video-games só abriu em 1994, e jogo de luta só Street Fighter 2 de SNES

Aquela MVS trazia novos horizontes para a cidade. E assim que chegou, chamou atenção de todos no bairro. Sucesso imediato.

A princípio os jogadores variavam bastante o jogo. Logo World Heroes deixou de ser jogado. Samurai Shodown foi o segundo jogo a ser deixado de lado, e a preferência já estava polarizada entre Art of Fighting e Fatal Fury 2, com vantagem para Art of Fighting.

Passado um tempo, só se jogava Art of Fighting.

Aqui começava a nascer uma gigante dos fighting games
Curioso. Principalmente porque Fatal Fury era mais amigável [se bem que muitos ali não tinham jogado Street Fighter 2], e, como jogo de luta, um jogo melhor que Art of Fighting. Não sei se os planos diferentes, ou a falta de habilidade total em executar os golpes especiais da maioria dos jogadores, ou a configuração de Art of Fighting estar como melhor de cinco rounds, influenciaram, mas fato é que Art of Fighting se tornou o hit do bairro.

Durante o dia todo as pessoas formavam roda em volta da MVS para jogar, ou ver alguém jogando, Art of Fighting.

E eu era um destes.

Art of Fighting logo de cara me ganhou. Perto do que já tinha visto, aquilo era lindo demais! Sprites gigantes, zoom, pre-bouts, provocação, barra de ki, danos no rosto das personagens, aquela trilha sonora fantástica!

Hoje as pessoas podem ter se esquecido completamente aquele jogo, mas com ele a SNK dava uma mensagem clara à Capcom: eu vou te incomodar!

Olha os fulanos: é ou não é seção kickboxer total?
O jogo é basicamente usar a fómula de Street Fighter, mas a SNK sabe como incrementar as coisas.

Primeiramente, crie uma história mais elaborada e envolvente. OK, pode ser o clichê do clichê, mas que garoto não adorava aqueles filmes estilo "Seção Kickboxer"? Temos uma motivação para as personagens estar ali, temos conversas entre as personagens, somos apresentados às suas personalidades. Adicione aí que o jogo estava em espanhol, mais fácil de se entender alguma coisa que o inglês, falado por ninguém então. Depois, uma trilha sonora que traduzia o clima do jogo perfeitamente. Várias vozes gravadas. Bônus games criativos. A interação com a barra de energia, que lembrava até as personagens de Saint Seiya queimando seus cosmos.

Qualidade padrão SNK: história em quadrinhos no manual do jogo para apresentar melhor a história
As descobertas graduais por parte do pessoal [que não tinha muita habilidade] empolgavam a todos. A primeira vez que o HaohShoKooh-Ken foi realizado, comoção geral. Aquilo era novo. Soltar um hadouken era uma coisa, mas um golpe especial daqueles era outro patamar! A primeira vez que se rasgaram as roupas da King, e todos descobriram que ela era mulher, foi o assunto do dia. Cada macete descoberto, a cada novo patamar que se chegava no modo arcade, era uma animação só. A primeira vez que o jogo foi terminado, com um cara gastando umas 60 fichas, foi quase que um megaevento. Estávamos todos ao redor do cara, torcendo como se fosse um jogo de futebol, até que finalmente o jogo foi terminado. Poucas vezes vi uma comoção tão grande como entre aqueles jovens por este jogo.

Realmente marcante.

Curioso que a minoria gostava do Ryo. Excetuando um ou outro, eu incluso, todos preferiam e jogavam com o Robert. Um cara rico era um ícone que chamava mais a atenção que um artista marcial de laranja.

O jogo também contribuiu para a reciclagem na cidade. Naquela época o dono do boteco trocava um casco [será que em algum outro lugar se usa este termo para chamar as garrafas vazias de cerveja e refrigerante?] por uma ficha. Muitos aprenderam a roubar garrafas para conseguir jogar...

Por tudo isso, não é surpresa que meu primeiro jogo de Neo Geo AES tenha sido este. 

Foi um jogo barato. Ele é bastante comum. Talvez por ter vendido bem em seu lançamento, ou talvez por a SNK ter apostado no seu console, ou porque os consoles da geração 32bits não tinham ainda sido lançados e arrebatado o mercado. O fato é que valeu cada centavo dos míseros 15 dólares que paguei no jogo.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

[PS2] Silent Hill 2

"black label" e "greatest hits" lado a lado
De volta a 2004, num dia 12 de junho, sábado chuvoso, foi quando ganhei meu PS2 [sim, não tinha renda na época, quem bancava as contas era meu pai].

Depois de um ano meio deprê, com algumas dificuldades, fui com meu pai, num Fusca todo ferrado, até Rio Preto [uma vez que aqui em minha cidade não tem nada], visitar o shopping azul [aka os camelôs].

Na época, a galera ainda se reunia constantemente para jogar, e o PS1 ia quebrando o galho, já que PS2 ainda não era uma realidade entre o pessoal. Comprar um PS2 era a aspiração de todos, mas ainda muito caro para nossos padrões.

E, naquele sábado, era o meu dia.

Depois de rodar as bancas dos camelôs até encontrar bom preço e vendedor confiável, decidimos onde comprar.

900 conto. Console, dois controles, três jogos.

Uma das minhas escolhas, Silent Hill 2.

curioso que quem estampe a capa seja a Angela, e não o protagonista, James
Eu gosto de histórias de suspense. Gosto de coisas bizarras. Gosto de climas sombrios.

Já era curioso por Silent Hill desde o primeiro, que não tinha jogado na época, mas que tinha acompanhado um de meus amigos, o Anderson, jogar.

Também tinha ouvido um outro amigo, Ivan, falar muito bem do jogo [e, se a memória não me engana, até tinha me mostrado uma parte do jogo].

Sem contar revistas informativas que sempre falavam bem do jogo.

Era muita vontade de chegar logo em casa e jogar.

Em casa, instalei o PS2 no meu quarto, coloquei o DVD do Silent Hill no leitor, e... não lia.

Desliguei, religuei, refiz tudo, desconectei os cabos, etc... nada.

Frustração e desespero! Meu pai tinha gasto uma grana alta que não estava sobrando pra me agradar, e o console não funciona?

Engoli seco e fui com cara de tristeza falar pro meu pai me levar de volta a Rio Preto, pra tentar resolver o problema.

James não estampa a capa, mas estampa o disco
Chegando lá, o camelô estava já guardando as mercadorias para desmontar a barraca. Já era tarde, e, costumeiramente, o comércio não passava das 3 da tarde aos sábados.

O camelô foi bacana. Disse que não tinha mais estoque de PS2, porque tinha vendido tudo, mas que me emprestaria o dele até trazer outro na semana seguinte.

Ficamos esperando ele ir buscar o PS2, apreensivos, é verdade.

Quando o cara chegou, me entregou o PS2 dele e disse que tinha testado o console que tinha me vendido, e que, de fato, não estava lendo jogos deitado, mas que em pé lia. Disse que era pra eu voltar na quinta seguinte, que ele teria mais PS2.

A troca por fim deu certo.

... só não falei pra ninguém que eu tinha deixado o console tomar uma pancada sem querer, o que provavelmente causou o mal funcionamento.

Fim do drama, pude me deliciar com Silent Hill 2.

Na época, estava fazendo aulas de inglês, e já deu pra acompanhar a história certinho. Talvez o primeiro jogo que eu tenha feito isso.

Cheguei até comentar com o Ivan que, graças ao gosto por Silent Hill, acabei me familiarizando com vocabulários não tão comuns, enquanto algumas coisas mais triviais eu não sabia.

Quer jogar com a Maria?  Esta é a versão que você procura.
A versão original do jogo eu só comprei anos mais tarde, 2007, se não me falha a memória.

Tentei achar em lojas por aqui, já que já tinha conseguido comprar o Silent Hill 3 a um bom preço. Tentei encomendar com um vendedor de jogos que trazia jogos originais importados em Rio Preto. Tentei achar em lojas gringas.

Mas não é fácil encontrar um jogo novo tantos anos após seu lançamento.

Acabei pegando no Mercado Livre mesmo.

O problema é que não encontrava na época a versão Greatest Hits.

Diferentemente das versões "Greatest Hits" dos outros jogos, a do Silent Hill 2 de PS2 traz extras em relação à versão "Black Label".

A versão Silent Hill 2 Greatest Hits do PS2 é baseada na versão Restless Dream [nome da versão americana] de Silent Hill 2, lançada para XBox e PC.

Nesta versão é possível jogar um modo curto com a Maria, que dá um toque a mais à história, além do final ET.

Esse modo de jogo com a Maria é muito bem feito, apesar de curtinho, e casa bem com o resto do jogo.

Encontrar a versão Greatest Hits passou a ser, então, uma obsessão.

Só consegui esta versão nas "terras mágicas" do eBay.

final ET, um extra que certamente vale a pena
Silent Hill 2, como jogo, é fantástico.

Dificilmente vou gostar de outro jogo como gosto deste, e, infelizmente, dificilmente a série terá outro jogo tão bom quanto este.

Ótima história, com um clima fantástico!

O jogo como um todo foi muito bem trabalhado. Cada pixel na tela foi planejado para contar a história. Alegorias e metáforas, com personagens que deixam este conto mais interessante. Detalhes espalhados por todo o jogo. Cenas memoráveis. "Inimigo" épico.

Pyramid Head se tornou um clássico [infelizmente, graças ao sucesso, começaram a usar a personagem em outros lugares, a descaracterizando]!

Com uma trilha sonora soberba, Silent Hill 2 consegue deixar o jogador tenso o tempo todo, além de o transportar para dentro das cenas da história.

Jogar Silent Hill no escuro e em silêncio é a melhor forma de aproveitar esta inserção no jogo.

Em Silent Hill 2, um jogo que não é difícil, e não tem grandes surpresas de inimigos que possam oferecer perigo ao jogador, a trilha sonora chegar a enganar completamente em alguns momentos, como quando se vai atravessar o relógio. Há momento também em que gritos surgem do nada.

Akira Yamaoka fez um trabalho de gênio!

In my restless dreams, I see taht town. Silnt Hill.
O gráfico do jogo, eu considero muito bom. Não é a primazia da perfeição, mas, principalmente para um jogo de 2001, é muito bom. E até hoje me agrada.


Por fim, Silent Hill 2 é um jogo fantástico! Obrigatório, na minha opinião. Um clássico do terror psicológico.

Aquela cena da Angela no hotel... pura arte!


P.S.: Havia um site simplesmente fodástico sobre Silent Hill entre 2005 e 2006. Tinha tantas informações, traduções das publicações japonesas, trilhas sonoras, vídeos, materiais extras, material detalhado das referências usadas pelos produtores, entrevistas, etc...

Mas sumiu o site. Muito triste. Era uma coletânea maravilhosa de material da série.

domingo, 11 de agosto de 2013

[NGP] The King of Fighters R-1

O primeiro título do portátil da SNK não poderia ser outro
Muitos jogadores de hoje conhecem a história dos consoles portáteis apenas a partir da disputa entre Nintendo e Sony, mas antes disso já havia acontecido muita coisa.

Nos últimos anos vimos o mercado dos portáteis ser dividido entre Sony e Nintendo, com GBA, NDS, 3DS, PSP e Vita, mas nem sempre foi assim.

Antes do mercado se resumir às duas gigantes, muitas outras empresas lançaram vários outros portáteis, entre elas, a SNK, com seu Neo Geo Pocket.

O Neo Geo Pocket, apesar de sua curta história, foi um portátil cheio de bons jogos. Com hardware superior ao GameBoy, e desta vez com suporte de third-parties como Capcom e Sega, por exemplo, o Neo Geo Pocket foi o primeiro portátil a fazer alguma concorrência à Nintendo em anos.

Infelizmente, a maré para a SNK àquela época não era das melhores.

O primeiro revés veio cedo. O primeiro Neo Geo Pocket era monocromático, e logo teve de ser adaptar ao lançamento do GameBoy Color. A SNK então lançou o Neo Geo Pocket Color.

Mas, mesmo com boas vendas do portátil, a empresa sofreu com outros duros golpes.

Com o acordo financeiro com a Aruze [resultado de fracassos no Neo Geo 64, pirataria na MVS, entre outros], as propagandas do portátil na TV americana foram cessadas, e a distribuição pelas grandes redes de varejo interrompidas.

Por fim, o portátil foi descontinuado.

Um triste fim para um portátil promissor...

fórmula de sucesso: o jogo era baseado em KoF 97, e na conclusão da Saga Orochi
Eu, desde a primeiro jogo da SNK que tive contato em arcades, sou um grande fanático pela empresa!

Sempre quis ter um Neo Geo, o que a condição financeira não me permitiu até 2007. E, na época do lançamento do Neo Geo Pocket, pude acompanhar, através de revistas especializadas, as notícias de seu lançamento.

A Gamers fazia ótima cobertura de assuntos relacionados à SNK, e com o Neo Geo Pocket não foi diferente: enormes matérias, muita informação e hype no último.

Eu, como fanático que era, me via doido no meio daquele turbilhão de notícias. Ficava lendo e relendo cada matéria, acompanhando cada screenshot ou ilustração, dissecando cada detalhe... e, apesar de tudo, com esperança de, quem sabe, conseguir ter um daquele portátil dos sonhos...

A verdade é que eu sonhava dia e noite em poder ter aquele console nas minhas mãos, e jogar aqueles jogos todos. Era uma obsessão!

porrada da melhor qualidade na palma da mão!
Na escola, não pensava em outra coisa, e, aula que é bom, nada.

Fora da escola, com meus 13 anos, não largava as revistas de jeito nenhum.

Era um sonho tão distante, mas minha ingenuidade de criança não me deixava ver o quão distante aquilo estava de mim!

Mas, apesar de tudo, aquela sede de informações sobre meus jogos mais queridos foi o que me fez melhorar drasticamente minha leitura. Eu não lia nada até que as revistas de vídeo-game passaram a ter papel relevante na minha vida.

tal pai tal filho
Este jogo foi o primeiro jogo de Neo Geo Pocket que comprei. Foi em 2007 já, quando já tinha uma condição um pouco melhor, e consegui comprar um Neo Geo Pocket.

Foi um momento muito bacana, que me fez relembrar aqueles tempos de garoto em que eu sonhava com este jogo. Todos os sentimentos daquela época, toda a vontade de jogar aqueles jogos, toda a expectativa... tudo eu pude vivenciar novamente.

E foi muito bom!

A SNK sempre fez um trabalho muito bom para agradar seus fãs. E, com o Neo Geo Pocket, não foi diferente.

A caixa do jogo, que poderia ser uma caixinha de papelão comum, quadradinha, é, na verdade, uma réplica da caixa dos jogos de Neo Geo AES. Lindo! Simplesmente demais!

Os detalhes todos estão lá, relembrando o legado da empresa.

E o jogo, simplesmente fantástico!

Acho que até o lançamento deste jogo, ninguém imaginava que um jogo de luta para um console portátil pudesse ser tão bom.

Jogabilidade de primeira, num design que soube explorar as limitações do portátil, e, muito favorecido pelo excelente controle do Neo Geo Pocket.

O Jogo é baseado na versão '97, que conta o final da Saga Orochi. Muito bem animado, com boa trilha sonora e um sistema de jogo que não deixa a desejar aos jogos de luta de consoles de mesa.

Uma pena que a história deste pequeno e notável portátil não durou muito.

Lembro das palavras de um dirigente da Sony à época do lançamento do PSP. Ele dizia que não entendia como o Neo Geo Pocket tinha fracassado. Mas a culpa não foi do portátil...

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

[SNES] The Legend of Zelda: A Link to the Past

velha guerreira surrada...
Infelizmente, não possuo este jogo com caixa e manual, mas esta fita, velha e surrada, acompanha minha vida há muito tempo...

Adquiri esta fita há não muito tempo, quando comprei meu segundo SNES, se não me falha a memória, em 2010. No entanto, a primeira vez que tive contato com ela foi em 1996.

O dono original morava do outro lado do Brasil quando a comprou, e, por um daqueles mistérios do destino, veio morar numa cidadezinha de fim de mundo no interior de São Paulo.

Acabei conhecendo o cara numa conversa ao acaso sobre jogos. Fiz muitas amizades por causa de jogos. Para um moleque esquisitão e tímido como eu, falar de jogos era a única coisa que me deixava confortável para falar com estranhos.

Conversando com este cara, ele sempre ficava falando de Zelda. De como ele achava o jogo foda. De como ele era foda no jogo, etc, etc...

Por fim, eu e um outro amigo resolvemos pedir esse tal de Zelda emprestado.

Eu estudava de manhã e este meu amigo estudava à tarde. Então ele ficava com a fita de manhã, levava a fita para a escola, onde entregava para mim, que jogava à tarde, e, no fim da tarde, eu levava a fita de volta para ele.

Ciclo meio maluco, né?

Esse foi o meu primeiro contato com a série Zelda, e o primeiro contato com esta fita.


Depois desse período, onde jogamos muito o jogo, e ficávamos compartilhando nossas descobertas e feitos, esta fita esteve presente em outro marco de minha vida de jogador: quando meu irmão quebrou meu primeiro SNES.

Já em 1999, peguei com o cara esta fita para jogar novamente. Numa bela sexta feira, desliguei o SNES e fui sair para um rolê à noite. No outro dia, quando fui ligar o SNES, o jogo não pegava. Seguiu-se o rito de quando uma fita não pegava: tira do console, assopra, coloca no console, liga, retira do console, assopra, coloca no console, empurra a fita um pouquinho para cima, liga, etc...

Depois de repetir este ritual umas 30 vezes, minha mãe, ingenuamente, me pergunta: "Será que é porque seu irmão jogou o vídeo-game no chão?".

Eu tinha perdido meu SNES...


Depois disso fiquei um bom tempo sem contato com esta fita. Em 2003 joguei muito Link to the Past em emulador [geralmente ouvindo o álbum Silence do Sonata Artica, o que me faz sempre lembrar do jogo quando ouço as músicas daquele álbum, e sempre lembrar do álbum quando jogo o jogo].

Isso até 2010.

Nesse meio tempo em que fiquei sem SNES, o dono original da fita vendeu, trocou, ou sei lá o quê, com um outro amigo meu, que foi de quem comprei o meu segundo SNES, e que acabou me passando a mesma fita que jogava em 1996 junto com o console. faz quase 20 anos que jogo com essa fita, mesmo só tendo comprado ela há 3 anos.


Este jogo também foi responsável por algumas  pérolas. Meu inglês, na época, era de sofrível para baixo, mas nunca fui metido a manjar de nada. Uma vez, no entanto, numa conversação sobre o jogo, disse que o herói chamava Link e não Zelda; que Zelda era a princesa. Ao que, um de meus amigos, que sabia alguma coisa de inglês [mas não procurou se informar mais] me disse que eu estava errado, que Link era parte do nome do jogo, que significa "elo", e, portanto, o nome dele era Zelda...


Esta versão brazuca, A Lenda de Zelda: Um Elo com o Passado, como estampado na fita, de brazuca só a caixa, manual e a fita. In game, é a versão americana mesmo.


Sobre o jogo em si, não há nem o que falar. Um clássico!

Apesar de não ter jogado quase nada do jogos 3D da série, acho que a graça da série são os jogos 2D. Acho que as versões 2D têm um charme que não encontrei nas versões 3D. Vou jogar os outros jogos da série, e, quem sabe jogando mais eu mude de ideia...

E final de ano sai a "versão" pra 3DS!

terça-feira, 6 de agosto de 2013

[PS2] Garou Densetsu: Battle Archieves vol.2

Meu primeiro jogo comprado novo

Este foi meu primeiro jogo original de PS2, e, também, minha primeira compra internacional.

Pela burrice e falta de experiência, acabei pagando bem caro pelo jogo.

Nunca tinha comprado nada internacional e, ao invés de pesquisar antes, sai comprando. Na época faltavam uns seis dias para a data oficial de lançamento do jogo. Procurando lojas na internet, encontrei a Play-Asia, que vendia versões japonesas de jogos. Fui e comprei. Como não tinha pesquisado nada, nem sabia que poderia cobrar imposto. Para piorar, coloquei com envio expresso da FedEX...

O lado positivo foi que o jogo chegou às minhas mãos antes mesmo de ter sido oficialmente lançado [e antes de ter algum torrent na net], já que a Play-Asia não respeitou os prazos. Assim que chegou a seu estoque, enviou.

O lado negativo é que paguei por uma forma de envio cara, e ainda tive de pagar imposto pra retirar o jogo. Nessa brincadeira foram uns R$250,00...

Pelo menos acabei aprendendo como funcionam as comprar internacionais.

Garou Densetsu: Battle Archives vol.2 é uma coletânea da SNK que reúne os jogos Real Bout Garou Densetsu, Real Bout Garou Densetsu Special e Real Bout Garou Densetsu 2: The Newcomers.

Os dois últimos são lindos! Principalmente o Real Bout 2

Fatal Fury [nome americano da série Garou Densetsu] era virtualmente igual a Street Fighter 2. Apesar de contar com mais recursos, a mecânica da série era muito parecida com SF. A partir do 3, a série começou a tomar outros rumos, que culminou nos Real Bouts.

Joguei muito o primeiro Real Bout. Tinha um arcade no meu vizinho na época, e este foi um dos jogos que eu recomendei que ele trouxesse. Muito do meu ganho do meu trabalho semi-escravo da adolescência foi comprando fichas pra jogar este jogo...



Essa arte usada no jogo foi meu wallpaper um bom tempo

Curioso que, pouco antes de a SNK começar a lançar esta série de coletâneas de seus jogos, eu cheguei a entrar em contato pelo site da empresa [com um inglês porco] sugerindo que relançassem os FFs e AoFs em coletâneas.

Nunca me responderam o contato, nem sei se leram, mas as coletâneas saíram...

[PS1] Street Fighter Zero 2

Meu primeiro original

Este foi o primeiro jogo original que comprei.

Foi em 2006 [ou 2005, não lembro ao certo], se não me engano. Tinha aberto um sebo novo há algum tempo no centro de São José do Rio Preto, e, um dia, garimpando CDs lá, acabei encontrando este jogo, por um preço até camarada.

Não tinha grana na hora, mas fiquei namorando o jogo.

Depois de uns dias, voltei lá e encontrei o jogo me esperando para comprá-lo.

Sempre quis ter jogos originais, mas nunca tinha tido condições. Aquele jogo ali me fez criar esperanças de fazer minha coleção. Foram trinta reais, que acabaram por atiçar meu lado colecionador.

achado em um sebo no meio de discos que o dono não sabia em qual categoria por

Gosto muito de SFZ2.

Pra mim ele tem um certo charme.

Não sei explicar...

Joguei muito nas locadoras aqui da cidade. Tirei diversos contras, por anos.

Foi em uma época em que a galera toda se juntava para jogar o dia todo.

Saudades...