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| Nunca fui muito fã desta ilustração da capa, mas essa era a nova proposta: 3 vs 3 |
Depois que a primeira MVS chegou em terras nevenses no boteco do quarteirão onde moro, a área se converteu em território de jogos da SNK.
Enquanto o resto da cidade desconhecia a existência da empresa, aqui nas redondezas, subitamente, SNK virou uma febre.
Com o sucesso que aquela MVS fez, o dono do boteco logo pensou em expandir o cantinho dos jogos e trazer máquinas novas. Mas claro que ele era um puta de um leigo que não entendia de nada, e quase meteu os pês pelas mãos.
Aquela MVS com Art of Fighting, Fatal Fury 2, Samurai Shodown e World Heroes foi trocada por uma com Super Sidekicks.
Isso mesmo. Saiu a máquina de maior sucesso para colocarem um jogo de futebol.
Não que as pessoas não gostassem de futebol. Pelo contrário, todos ali gostavam, inclusive eu, mas sem chances deste jogo chamar tanto a atenção do pessoal como os jogos de luta, e não se tira a máquina mais rentável para colocar uma aposta.
O movimento acabou caindo, porque ninguém se desesperava pra jogar Super Sidekicks. De vez em quando alguém jogava, mas só.
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| Personagens novo e antigos nesses enorme crossover. |
Quando viu que tinha feito um mal negócio, o dono do boteco resolveu trazer de volta algum jogo de luta. Com isso, juntamente com o Super Sidekicks, tínhamos agora uma máquina de Mortal Kombat, o primeiro.
O pessoal da área gostava de MK, mas praticamente todos que tinham um SNES tinham MK2. Todos já estavam habituados a jogar muito MK2, portanto, aquela máquina de MK1 era uma espécie de retrocesso. O jogo foi mais jogado que Super Sidekicks, mas não virou nenhuma febre.
Foi somente a nova tentativa do dono do boteco que surtiu o efeito desejado: trocar Super Sidekicks por The King of Fighters 94.
Era a segunda vez que um jogo da SNK causava uma febre entre aqueles jogadores.
KoF94 foi um choque.
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| SNK esperta já padronizando os encartes para as versões AES e CD. |
Até hoje me lembro da sensação de ver o jogo pela primeira vez. O impacto da diferença gráfica foi enorme.
O jogo era lindo, cheio de animações, cores, efeitos, com uma trilha muito boa, e, além disso, tinha as personagens dos jogos que nós tanto gostávamos.
Não tinha como comparar a qualidade gráfica daquele jogo com portes de SNES de outros jogos que jogávamos.
A barra de ki, esquiva, os trios, os detalhes dos golpes e dos cenários, encontrar outras personagens conhecidas escondidas nos cenários, redescobrir os golpes, etc.
Estávamos maravilhados com este novo mundo. A velha euforia voltou. O assunto era só esse.
Todos estavam tão doidos pelo jogo que, mesmo quando o controle estava em estado deplorável, continuaram a jogar.
Nesta época foi quando eu comecei a procurar revistas de vídeo game. Não propriamente em bancas. As lojinhas de R$1,99 estavam em alta, e costumavam aparecer alguma coisa relacionada a games, possivelmente material que não vendeu todo nas bancas e depois de recolhido foi vendido à preços menores para estas lojinhas. Também foi quando comecei a procurar por amigos que tinham revistas relacionadas. Eu queria encontrar informações sobre KoF94.
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| Há 20 anos nascia uma das franquias mais amadas dos games. |
Me lembro de uma revista inteira sobre KoF94, em que o editor era o Sérgio Peixoto [quem acompanhou mangás e animes nos anos 90 sabe muito bem quem é o sujeito]. Aquela revista falava tanto absurdo, mas tanto absurdo! Incrível como algo do tipo pode ser publicado. Basicamente eram uma página por personagem, com uma ilustração não oficial [e ruim], com dois ou três comandos de golpes, e a história da personagem. Totalmente furada, tanto a história, quanto os golpes. Além de uma seção sobre o sistema de jogo e a história geral, tudo muito ruim também.
Não encontrei outras publicações sobre o jogo, e fiquei muito triste por não sair porte para consoles do jogo [claro que só saíram para o Neo Geo AES e CD], o que só veio a acontecer no PS2. Foi aquela revista que matou minhas esperanças, "se você espera jogar KoF94 no seu Super Nintendo ou Mega Drive, esquece!".
Acabei aprendendo alguns dos DMs com dois caras que vendiam doces e bugigangas para bares. Eles costumavam jogar quando vinham trazer mercadoria, e, numa das vezes vi os caras jogando e executando os golpes especiais e fiquei observando as mãos deles [era tímido demais para perguntar abertamente pra eles].
O jogo continuou até a máquina ficar em estado que não era mais possível jogar. Ninguém dava manutenção, e, por fim, a máquina foi retirada.
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| Inacessível na época, só dava pra jogar no arcade |
Sem sombra de dúvidas foi uma época das mais marcantes em minha vida como gamer.








